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Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

01
Mai18

Na companhia de quem também nos quer! Horas de...

Gabriela Lima

Horas de me aperaltar

 

Horas de me aperaltar para um jantar de aniversário. Sou a responsável pelo bolo. Tenho ainda de ir buscá-lo. São já 43 os aninhos atingidos. A aniversariante parece não ter grande ânimo para festejar, mas mais reunir-se com os amigos. Que os aniversários sirvam ao menos para reunir os amigos de quem verdadeiramente se gosta! Suponho que assim torna tudo mais relevante e estimulante.

Passo por uma outra loja, vejo umas botas e uns sapatos em promoção. Toca fundo esta minha trivialidade de fazer uma grande compra sem nada em troca que valha verdadeiramente a pena. Apenas a contribuição para um visual mais moderno e ao meu próprio gosto e estilo! Não resisto. Penso que será o valor de um mero trabalho ou dinheiro que perdi de repente. É horrível pensar assim, eu sei! Mas quem não pensa este tipo de coisas na hora de gastar alguma pipa de massa? Somos horríveis, todos, cada qual à sua maneira! Justifico melhor quando penso que trabalhei muito, não fiz férias e que não vou poupar grande coisa se gastar volta e meia uns 100 euros. Para muitos, rios de dinheiro, para outros, assim-assim e para uns poucos, uma ninharia! E eu não sou culpada. Termino os pensamentos, entro em modo de “nada”, peço, experimento, gosto e compro. Já está! São meus! Amanhã logo verei!

Chego a horas com o bolo e as botas novas. Beijos e abraços profundos com vontade de agarrar quem já não via há algum tempo. Conversas animadas de como temos passado, o que se fez e se deixou por fazer e o que gostaria de se fazer. Há um elemento novo no conjunto e sinto-me vislumbrada por esse novo intruso. Gosto da sensação. Deixo-me levar por ela, não pressiono, não acalmo, deixo-a correr, porque sabe muito bem. Inicia-se nova conversa sobre amores, desamores e arranjinhos. Olhos fitam-se e sorriem de encanto consciente e risos largam-se em alvoroço quando dizemos parvoíces verdadeiras e reveladoras da dura e mágica realidade que é a das atrações e encantos.

- No meio de tanta atração, restamos amigos de longa data, sem mais. Parece que o que nos uniu não foi uma sensação arrebatadora de amor sexual, mas sim amor pessoal, se é que se pode chamar isto. Alguém percebe o que quero dizer?

Esta era a minha amiga Luísa a falar. Uma mulher confiante e de confiança. Uma mulher nem alta nem pequena que nos ensina a perceber as situações mais tolas que possam existir nas nossas vidas e sabe aplicá-las à sua própria vida, o que é ainda mais revelador da sua alma pura e sábia. Nos piores dias, aperalta-se melhor do que nos melhores! Impossível vê-la desistir e deixar-se ficar ao canto, envolta na sua coberta! Isso, só quando está frio, mas de cabeça de fora para não perder nada do que se passa em seu redor. Uma mulher atenta, controladora, mas uma doce criatura que nos consola.

Digo que sim, percebo o que quer dizer. Mas como se tratam sensações de “desejo não querendo” que mais se associam a estados de graça com outro ser humano? Graça essa que pode cair em tentações de ardor sexual ou na simples tentação de um abraço. Como saber isso e não estragar relações que podem ser de longa data?

- Ou se tenta alguma coisa e fica-se a saber ou não se tenta nada e fica-se a saber na mesma. O tempo de manutenção dessas relações determina o rumo dessa relação em termos de se tornar sexual ou amizade profunda. O medo de falhar, de magoar, de se sair ferido, de terminar mal, de afastamento, etc., impede a experiência de resultar numa das duas.

- Então, achas que se deve manter a relação e ver no que dá, explícita ou implicitamente, de acordo com os comportamentos de cada um? – esta pergunta não é minha, é do tal “alto e espadaúdo” que se encontra à minha frente.

- Explícita ou implicitamente… não sei quanto a isso… a mim parece-me que se deve ser “a pessoa” e depois o resto vai-se desenhando… - contribui Luísa, um pouco baralhada, porém. Olha para mim como a pedir algum apoio verbal.

Fico algo engasgada por sentir que devo refletir na resposta…

- Sabem que mais… é deixar a vida rolar, os acontecimentos sucederem e ver que resposta lhes damos… primeiro, é melhor relaxar o pensamento para, em seguida, abraçar o evento que a realidade nos proporciona, quer contribuamos abertamente ou não para isso. A sensação de medo de perder isto ou aquilo ou meramente o jogo de olhares e toques ou não toques… esmaga qualquer tipo de inovação – esta foi a minha incrível resposta.

- E que entendes tu aqui por inovação? – arrebata o interessado número 1.

- Por inovação entendo uma entrega ao novo conhecimento para retirar aprendizagens ou mesmo reaprendizagens. Estive bem agora, não estive?

Luísa sorri abertamente e pisca-me o olho. Neste preciso momento sai-lhe um raio de luz que me atinge e me deixa estonteada. Esta rapariga tem qualquer coisa… estas coisas saem-lhe do coração e isso sim, é entrar em contacto com os outros sem eles perceberem de onde vem toda esta energia.

- Então… imaginemos que tu e eu, neste momento, estamos com um jogo de olhares… como devemos proceder? – pergunta-me entusiasticamente o rapaz.

- Então estamos com vontade de nos atrevermos. Atrevamo-nos nesse caso. Chuta conversa e logo se vê. Não fiques é parado a olhar eternamente. A magia do momento também se cansa e desaparece.

Luísa sente-se desconfortável e para se reintegrar diz “Eu ajudo! Vocês vão combinar um cinema para amanhã!”

Olhamo-nos todos, rimos, e eu digo “Muito bem, temos cinema amanhã, os dois?”.

- Por que não hoje mesmo? Ainda vamos a tempo… - insurge-se o meu par de jogo.

- Nã… empolga mais saber que vamos ao cinema amanhã, não achas? Até lá, vamos sonhar como seremos, de que conversaremos – sou interrompida por um “conversar? Então não é um cinema?” a que me apresso a dizer que “tomamos café bem antes do cinema ou depois?”.

- Com certeza. Está combinado. Café-jantar às 19h30 e cinema às 21h.

- E que tal, café às 22h e cinema às 24h?

Embasbaca-se o espadaúdo e soa encantadoramente com um “sim!”.

Luísa inclui-se novamente com conversa sobre tantos filmes no cinema para ver e nenhum propriamente especial.

Na verdade, ficamos de ver o Brave!

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