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Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

14
Jan18

Está quase na hora do jantar

Gabriela Lima

Está quase na hora do jantar. Adorei aquele momento enternecedor na praia com o meu mais recente amigo.

Merece o meu melhor e mais novo vestido em tom de púrpura, sandálias prateadas e lenço leve ao pescoço em tom de laranja suave. Mas que carteira devo levar? Não me lembrei da carteira. Não tenho nada a condizer. Uso os brincos de prata velha de origem indiana que me ofereceram numa festividade antiga e um anel que a minha mãe me deu também lá atrás. Um anel às ondas, quase maior que o meu dedo.

Recorro ao espelho «Estarei bem?». Sinto vida nos meus olhos!

Resolvo ir sem carteira. O encontro vai ser no restaurante do resort onde estou hospedada.

Passo novamente pela receção e sinto um calafrio… e, de repente, uma sensação de calor radiante de alguém que me observa. Olho em volta e não vejo ninguém!

Sinto-me repentinamente fantástica, como que a entrar num túnel cheio de luz que me foca, sem conseguir vislumbrar nem sombra de nada. Rodo sobre mim mesma e tudo se vai… o túnel, a luz, a sensação de calor…

Solto um suspiro de qual desilusão e alívio e continuo a caminhada até ao restaurante.

Ouço alguma música ambiente e sussurros humanos. Alguns gracejos e também bocejos…

Ó! Lá está ele! Carinha fofa, olhos sinceros e calmantes. Sorriu, deixando transparecer um pouco os dentes! Perfeito! Lindo! Veio buscar-me e raptou-me do percurso para logo me apertar contra si. Estamos a dançar um som latino. Acho que é samba em ritmo de slow.

Terminámos com uma curva das minhas costas sobre a sua perna sólida… sorrisos e olhares estonteantes. Mais um beijo. Acho que, desta vez, as pontas das nossas línguas se tocaram, sedutora e subtilmente. Um choque que se prolongou até ao fim da minha espinha, num espaço de longos segundos.

Por fim, sentámo-nos à mesa. Rimo-nos como crianças e conversámos sobre momentos da nossa vida. Coisas boas, muito boas, e algumas menos boas…

- Somos muito parecidos e temos ideias muito próximas.

- Tínhamos de conhecer-nos. Era vital que isto acontecesse.

- Sim. Foi bom encontrar-te. Trouxe-me qualquer coisa que não sei definir, talvez uma sensação muito ampla, libertadora e intensa. Não sei o que é.

- Fazes-me sentir alegria, bem-estar, carinho e conforto. Sinto-me tão bem ao teu lado.

Não importa quem expressou o quê. Acho que os dois monologávamos isto ao mesmo tempo.

Nesta fase, já tomávamos café. A noite ia fazer-se longa. Não findavam argumentos de conversa e lá nos deparámos com a despedida.

O beijo foi, inicialmente, olhado, silenciado e preparado. Os lábios uniram-se, as pontas das línguas tocaram-se e não resistiram a enrolar-se como as ondas do mar em alvoroço, mas muito discretamente. Retomou-se o mesmo beijo, agora com maior carga até ter de soltar um suspiro. Terceiro beijo em maré a sugar o mar. O suspiro transformou-se num sopro de contenção e clímax. Entrei naqueles olhos…

Mas não eram os meus olhos! 

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