Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

11
Mar18

Deixo-o levar-me

Gabriela Lima

Deixo-o levar-me para onde me diz ser o café-bar-restaurante onde melhor se sente, «como em casa», embora extremamente atenta a tudo, sempre muito desconfiada para não perder a consciência de mim mesma e desta decisão algo inesperada, nada comum e potencialmente perigosa.

«Como em casa»! Desde que o ambiente se adeque a uma boa conversa e sustente uma sensação de magia infinita, eu topo, adoro e volto lá. É claro que as pessoas também fazem o ambiente e a recordação não é tanto do café desnudo, impessoal, mas sim, da combinação de cada um de nós, porque somos nós que lhe conferimos aquele ar acolhedor, que oferecemos à ténue luz uma vibração estimulante, que tornamos a decoração a mais enternecedora.

E aquele espaço veio a tornar-se um espaço eterno de luz e sentimento.

Não lhe vislumbro ainda os olhos, de tão fugazes no seu movimento. Mas reconheço na voz uma proximidade que me acalma, me toca e me extasia.

Falamos das nossas idades, dos nossos desvarios durante a doce juventude e a mais amarga, dos sonhos e devaneios para cumprir o futuro e das religiões e falta delas.

Pontos de vista em comum, alguns mais ou menos exacerbados de um dos lados, mas sempre em convergência. Alguma dificuldade em tratar diretamente as questões em desacordo. Poucas, mas fortes. Forma de reagir e ser tão parecidas quanto distantes ou mesmo opostas. Gostos parecidos, mas nem por isso iguais. Palavras e frases não ditas mas trocadas em pensamento, canalizadas por telepatia. Química perfeita, genuína, celeste.

Rodni levanta-se, dirige-se ao balcão para pedir com urgência um copo de água. Enquanto espera, vira o seu corpo na minha direção. De repente, o ruído ambiente desliga-se, e somos focados apenas os dois por um holofote inexistente; olhamos um para o outro, sorrimos profundamente… um segundo… durou um segundo, para, em seguida, descermos à “terra” e continuarmos o nosso café.

- Eu vou perguntar, não me leve a mal, mas eu tenho de perguntar.

Abano a cabeça a autorizar, ansiosa.

 - Podemos passar este dia juntos? Só para conviver, conversar, conhecer-nos melhor.

Claro, na nossa idade, sem demais intenções, parece-me excelente. Boa forma de colocar as coisas.

- Podemos sempre prosseguir de viagem e sair em Paris… continuaríamos juntos o percurso…? – Respondo em forma de pergunta, a querer ser muito cautelosa e simultaneamente arriscada.

Condescende a olhar-me nos olhos. Um segundo… Desvio os meus.

- Não sou daqui e não falo francês, mas adoro esta parte do país. – Diz em tom de reinício de conversa a tentar incutir alguma sabedoria.

- Pois digo-lhe que, no que toca ao país, adorei La Rochelle e a região de Bretagne. A luz de La Rochelle é genial. Concordo que este café também me deixou extremamente impressionada.

- Ó, isso foi da minha companhia! Sem mim, o café não vale nada! – Ri desalmadamente.

- Às tantas, não tem nada que fazer e mete-se no comboio em boa posição para conhecer uma garota e convidá-la a conhecer um dos seus cafés favoritos. Chegando ao destino, convida-me para jantar e depois de uma noite confortável no melhor hotel da romântica cidade, que tem a amabilidade de pagar, um pequeno-almoço requintado e o adeus até ao meu regresso! É assim? – Respondo a brincar.

- Trata-se de uma sugestão? Não me desagrada, para dizer a verdade. Ó, não vou assustá-la. Vou em negócios… uma reunião. Mas terei de pernoitar… é um bom hotel, não sou eu que pago, porém… incomoda muito esse fator?

Rio-me e faço de conta que era tudo uma brincadeira. Depois, vem a revelação para acalmar os pensamentos que assaltam normalmente uma mulher numa situação com o desconhecido.

- Não sou casado, não tenho namorada, nem filhos. Por isso, não teria nenhum problema. E o seu caso, qual é?

Com isto, fiquei qual pateta a olhar para o infinito. Não consigo responder à letra…

- Sou uma serial killer e vou-te comer…

Faço um grunhido ao mesmo tempo que levanto as mãos em forma de o apanhar, mas com a distância adequada para não enganar. Agarra-me nas mãos como em autodefesa, puxa-me um bocadinho na sua direção, controla… larga e olha para mim a rir, com um certo embaraço, mas muito sensual!

Qualquer convite, neste momento, não recusaria!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D