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Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

16
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! Vejo o que...

Gabriela Lima

Vejo o que tenho

 

Vejo o que tenho no correio eletrónico e sobressai na lista um e-mail da Rose. A minha Rose.

“Querida Garda, Tenho os teus tons prontíssimos. Vou enviar-te uma amostra para que possas ver, cheirar, tocar e aplicar. Leva umas instruções anexadas para saberes aplicar nos teus olhos. Depois diz-me o que achas. Estou ansiosa por ter o teu feedback. De resto, tudo igual. A reviravolta do costume. Abraço forte.”

Fico extasiada de alegria e ansiosa por receber o dito pacote. Eu… que nunca ligo a estas coisas… estou maluca por receber as minhas pinturas!

Respondo com um enorme THANK YOU! Aproveito para contar os meus últimos acontecimentos mais importantes na expectativa de receber uma resposta promotora e intensificadora de todo o contexto que explano.

Saio do compartimento e vou até à varanda para refrescar as bochechas no vento irado que lá passa e contemplo ao longe o oceano que tanto me aproxima do outro lado.

Volto e continuo a trabalhar.

13
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! Treme de repente...

Gabriela Lima

Treme de repente o telemóvel

 

Treme de repente o telemóvel com notícias de um amigo. Já não nos vemos desde o século passado. Mas a voz é a mesmíssima e o tom o mesmo de tão acolhedor. Fico feliz de tal acontecimento e atropelamo-nos cautelosamente em todas as conversas e temas encetados. Não demos por ela e passaram quase duas horas disto e daquilo. A sensação de posse do momento é tão boa que nenhum dos dois pretende desligar, arrastando a conversa com a integração de mais um comentário, palavras diferentes, expressões de fim que não querem findar. “Enfim, e é assim. Muito bom este café telefónico!”

Com isto, dou-me conta de velhas amizades que perduram e perduram, recontando e ouvindo histórias antigas e as que ainda são novas, questionando o mundo e a família, vendo-nos igualmente diferentes e com tanto em comum, dando conta da nossa habilidade para sonhar e acreditar, da nossa capacidade de integrar o presente no passado e confrontá-los no que poderá vir a ser o futuro. Tudo isto numa cumplicidade infinita que nunca desune.

Penso nisto e creio que o respeito e o carinho retirado deste tipo de amizade é a âncora cuja corda ou corrente se estende ao longo de quilómetros para jamais largar.

Sinto ainda que quando a amizade é independente, quando os amigos não querem possuir a amizade dos outros para si mesmos e libertam e são livres, esta é a amizade que desafia o tempo. Tudo nela se torna intemporal e atual.

Quem conhece a amizade assim conhece uma das maiores virtudes. E eu sinto que sou uma pessoa de sorte!

04
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! É de manhã...

Gabriela Lima

É de manhã, saio de casa

 

É de manhã, saio de casa a correr algo atrasada para uma consulta de rotina no médico. A idade não perdoa e exige estes inconvenientes muito convenientes.

Paro o carro atrás de outro que me parece avançar com determinação no entroncamento. Não reparo, não sei como foi, depois de acelerar em primeira quase a engatar a segunda, bato com estrondo no carro que não avançou afinal. Somos só nós, não há ninguém a reparar nem a comentar. Saímos do carro em movimentos sintonizados para conhecermos os “parvos” da história e apreciar os danos.

- Não se preocupe, assumo a culpa.

- Na verdade, eu parei de repente… também não fui lá muito correta.

- Mas eu estava por trás e, por isso, eu devia ter-me certificado de que não tinha ninguém à minha frente… enfim… deixe lá ver os danos… o meu só tem um arranhão quase impercetível…

- O meu, aparentemente, não tem nada! Deixe-me só abrir a mala… não vá o diabo tecê-las… Não… não parece ter nada.

- Que sorte! Foi um toque – e que toque! – limpo.

- Acho que podemos relaxar as duas, mas que ainda estou a tremer, apesar de não ter sido nada de especial, lá isso estou. Bolas!

- Eu peço imensa desculpa, eu é que estava distraída a pensar na morte da bezerra. Na verdade, eu também estou muito nervosa… olhe só as minhas mãos! Acho que vou estacionar o carro e tomar uma água.

- Se não achar muito estranho, vou consigo! Assim, se o carro se desintegrar de repente, eu posso sempre culpá-la… estou a brincar!

- Sei lá, aquilo foi uma batida poderosa… sim, claro que não me importo. Tem toda a razão, não me perde o rasto se o pára-choques cair ao chão entretanto!

Estacionamos os ditos e dirigimo-nos ao café ali ao lado que nem tinha dado conta do sucedido.

Estavamos sorridentes de nervosas e as nossas vozes tremelicavam em harmonia com os movimentos rápidos, quase descontrolados, do nosso corpo. Sentamo-nos e pedimos ambas um café! Nesta atitude errada de querer relaxar, ficamos ainda mais estéricas e desatamos em conversa infinita sobre acidentes, experiências de acidentes, etc. O tópico ideal para ajudar a chegar a um ponto de pico, para logo, finalmente, retomarmos o nível de consciência e respiração normais.

Soltámos um sopro fundo de alívio para o ar, silenciamos por momentos, olhando em torno, voltando ao estado normal. Já cientes de tudo e todos, olhamos uma para a outra com olhos desconfiados e ao mesmo tempo exclamados. Que raio de coisa seria esta de tomarmos um café depois de um acidente? Não deveríamos ter ido cada qual para seu lado, uma a falar mal da outra e a outra de si mesmo, embora criticando a falta de segurança da primeira?

Comentamos a situação e de sermos pessoas muito simpáticas. A voltar à realidade, lembramo-nos dos nossos afazeres e por que razão estavamos a conduzir e para onde íamos. O tempo urgia e tinhamos de prosseguir caminho.

- Gostei imenso deste pedacinho… apesar de a ter conhecido de uma forma pouco interessante, até achei piada!

- Sem dúvida. Pelo menos, o dia ficou mais divertido e diferente!

Rimos.

A consulta no médico expirava, entretanto.

29
Mar18

Na companhia de quem também nos quer! Agora sim...

Gabriela Lima

Agora sim, de regresso

 

Agora sim, de regresso à realidade, estou no meu café preferido. Virada para os grandes vidros, alcanço a linha do horizonte que assenta sobre o mar como uma faixa vermelha de final de tarde a prever um dia seguinte de sol e puros tons de azul e verde a pintar o céu e o mar.

Olho, deixo-me imbuir em imagens, sons e pensamentos. Aproveito a minha tarde “off”, ligo novamente o portátil, abro um documento de texto e deixo o cursor piscar em vazio durante algum tempo.

Enquanto o cursor pisca, surgem-me mil sensações cruzadas, algumas associadas a imagens, outras a vivências. No conjunto, não vislumbro nada em concreto. Deixo que a seleção se faça aleatoriamente e, incrivelmente, lembro-me das meias aos corações coloridos em fundo cinza escuro que trago calçadas, que em nada combinam com o resto da indumentária e que se deixam ver, sentada, com as calças meio subidas. Penso em tapá-las, mas ocorre-me uma gargalhada interior e deixo-as ficar assim, em modo de palhaça que possa alegrar o dia de mais alguém que a elas ache piada!

Recordo todas as minhas amizades, desde a infância até ao momento e tento não me esquecer de ninguém, sabendo que será inevitável. Recordo as que ficaram sempre dentro de mim gravadas como alguém especial, independentemente de ter ainda ou não ligação. As menos positivas, recordo-as na tentativa de explicar o erro, se meu ou da outra pessoa, ou de ambos ou ambas. Recordo para observar se mudei orientações para melhor, ou para pior ou se em nada mudei. Sei que mudei muitas tendências para melhor… outras, continuo sem compreender muito bem como fazer, e outras… fico convicta de que a base situacional não se deveu a mim, sendo que continuo com uma perceção da outra pessoa como sendo uma pessoa “não para mim”. E, depois, existem aquelas que me magoam e parecem continuar a querer manter a amizade não querendo, e eu não sei como proceder. Ora me apetece extingui-las da lista dos amigos de coração e transferi-las para a lista dos amigos por conveniência ou deitar efetivamente ao lixo. Ao lixo… não me soa correta esta opção, não a sinto como desejada. Fico assim… à espera que o mar me responda! Deleito-me a olhá-lo novamente. E o cursor permanece “piscando”!

25
Mar18

Escrevinho algo num papel

Gabriela Lima

Escrevinho algo num papel. Estou de volta, porque deixei de querer perseguir o mundo no encalço daquilo que penso ter encontrado. Preenchi AQUELA gaveta! Ainda não consegui fechá-la, permanece escancarada, na expectativa de não a vir a fechar… sei, no entanto, que o inevitável irá acontecer!

Escrevinho para me entreter na viagem de regresso, a olhar desvairada para o todo e a tentar encontrar aquele único ponto de união, de magia, de rasto perdido. Sonho com tudo igual e um nada diferente, ou com tudo diferente e um nada igual!

Olho para todos os lados e consigo vislumbrar os bons momentos no rescaldo de cada troço da minha não tão extensa viagem. Sorrio convencida de que sou o máximo, de saber o que conheci e de conhecer o que sei. Mas sinto um fio de profunda tristeza, porque não conclui esse caminho.

Escrevinho tudo isto e descrevo o meu estado em consciência. Agradeço, contudo, ter absorvido todas as emoções, todos os pensamentos, todas as ações, todas as interrelações, todas as conversas. Não me esquecerei. Conheci muitos alguéns até hoje e todos preenchem o meu lado relacionável.

Não tocarei, ouvirei, verei, cheirarei nem falarei com AQUELA pessoa outra vez. Estou convicta disso. Não procurarei nem serei procurada. Só sentirei e serei sentida. Disso estou certa e convicta. Não pergunto se será suficiente, não importa.

Não me atrevo a fechar a gaveta. Estou imbuída naquelas emoções e sentimentos. Paro de gatafunhar, recosto-me para trás, deixo-me recordar.

As imagens correm depressa, sem ordem nem sucessão lógica. Deixo acontecer… não paro, não critico, não penso… deixo correr aquele filme incomposto.

Não importa se estive ou não estive, se vivi ou não vivi, se tudo é diferente ou igual, porque, na verdade, é tão diferente quanto igual. O âmago é o que nos une e nós diferenciamo-nos não pelo que nós somos, mas pelo que queremos parecer ser. E enredados nesta imagem que parece ser, mas não é, acreditamos no que parece ser e não é. E assim se constroem seres, culturas e nações… iguais e diferentes! Termino a digressão sem vontade de desenvolvê-la e abro portas ao devaneio seguinte.

23
Mar18

Foi e ficou para não ser

Gabriela Lima

Foi e ficou para não ser. Rodni voltou a Inglaterra e reintegrou o seu dia-a-dia. Eu continuei a minha viagem por terras de Itália, com o intuito de ser a última paragem. Uma paragem perfeita para integrar todos os acontecimentos e terminar em pleno esta viagem maravilhosa. Haveria muito ainda que visitar e percorrer, novos países e continentes, mas desta feita cheguei à conclusão de que era altura de voltar e reinserir-me na viagem real de regresso à rotina diária.

Nada como a Cidade da Moda para me devolver a vontade de gastar! Não é à toa que o país tem a forma emblemática de uma bota.

Um local de pessoas afáveis, sempre prontas a iniciar uma conversa fortuita sobre tudo e sobre nada. Um emaranhado de gentes de todos os cantos do mundo à procura de algo que será superado pela própria vivência na cidade.

22
Mar18

Entro no site da Rose

Gabriela Lima

Entro no site da Rose. Lembro-me da sugestão de cores fortes e contrastantes em dias de vigor, cores escuras a contrastar com um tom vivo em dias de raiva, e cores calmas a contrastar com um tom forte em dias de ternura. Mas que cores devo escolher para os dias de indecisão entre deixar situar-me entre o vigor, a raiva e a ternura? Envio-lhe um mail, dou-lhe o contexto e aguardo a sugestão.

A resposta veio pronta e entusiasta.

«My dear», traduzo: «Que maravilha. Não sei como conseguiste uma descrição tão glamorosa e clarividente de todo o acontecimento que enaltece a tua alma e deixa o teu físico em forma (lol). Mas essa fusão de sensações que te deixa “entre o vigor, a raiva e a ternura” é o resultado de um estado comummente designado PAIXÃO. A PAIXÃO em maiúsculas… que é a primeira e derradeira PAIXÃO. Quase fico sem palavras para sugerir cores e tons. Tudo apontaria para os tons fortes, garridos, de extremo vigor! Mas não parece que o teu estado de PAIXÃO se reflita nesses tons. Eu interpreto como sendo uma PAIXÃO celestial, logo eu penso em tons fundidos de vigor, raiva e ternura. Vigor pela sublime energia, raiva pela indefinição nesta vida e ternura pelo amor que acarreta. Azul púrpura forte com azul avermelhado “pôr-do-sol” para os olhos e um suave “rosa-pele” para os lábios. Não tenho nem estes tons, nem esta combinação, mas acabaste de me oferecer a ideia para uma nova fórmula. Obrigada, minha querida. Que dizes da minha sugestão? Para já, carrega nos tons que gostares mais à tua vontade e dá apenas um ténue brilho aos teus lábios. Eu vou mandar preparar já a nova fórmula e assim que estiver pronta, serás tu a inaugurá-la! Posso usar o teu nome ou uma referência a ti para sugerir o nome dela? Faço questão de te associar à nova fórmula, pois ela será senão uma representação de ti!»

Como recusar uma oferta destas? A sugestão parece-me genial e repleta de visão! A Rose sabe mesmo do que fala. Não consegui, no entanto, retirar intimidades dela nem com base na minha própria história. A Rose é o tipo de pessoa reservada completamente aberta para os outros. Uma oposição incontestável!

21
Mar18

Andamos e conversamos incansavelmente

Gabriela Lima

Andamos e conversamos incansavelmente. Tudo parece perfeito. Não existe tempo nem espaço. Só existimos nós e parece que por onde passamos, somos nós que fazemos a paisagem, só um largo extenso e plano tecido de cor e harmonia… as pessoas são meros mecos que vamos contornando ora afastando-nos, ora unindo os nossos corpos com cada vez mais intensidade e voltando a apartá-los na devida distância, ao toque de apenas um dedo.

- Vamos dançar? A música é interminável e já não aguento não dançar.

Agarra-me em posição de valsa e lá vamos nós… passeando a dançar ao som de uma valsa que só nós podemos ouvir. Os mecos são agora adornos de festa de rua que abraçam a causa.

A música acaba, paramos e ouve-se no silêncio um calafrio aquecido por um beijo estonteante. O foco de luz ofusca tudo o resto e sinto que não vejo, sinto apenas!

O cursor pisca à espera de escrever. Não sei como descrever. Não consigo.

Avanço letras com o cursor… volto a apagar… não encontro palavras, referências. Não saio do beijo. Não saio dali. Ficava ali sempre. Numa zona sem tempo e sem espaço. Lindo, ofuscante, deslumbrante.

Acordo num abraço profundo, em corpos se tocando, se agarrando desenfreadamente, alisando com as mãos todos os contornos de cada corpo, próximos, um toque quase sem tocar, sem pesar, leve, quente, paramos em êxtase!

Abro os olhos dentro dos olhos e vejo os meus olhos!

Desperto em novo abraço profundo e entrego o meu destino, sabendo que não será este o caminho. Abro um nicho na minha vida que acolho na mais profunda cavidade do meu coração para guardá-lo em segurança para a eternidade.

20
Mar18

Estou no local do encontro

Gabriela Lima

Estou no local do encontro… estou a ficar inquieta da espera, por um lado, de estar parada, por outro!

São 17:30 e começo a ficar impaciente, a contrariar a vontade de continuar a viagem, a combater a sensação de desilusão por ilusão… irrito-me comigo mesma por permitir-me ter estes pensamentos devastadores de momentos potencialmente reluzentes.

Eis que vejo a figura a aproximar-se silenciosamente no reflexo do espelho da porta. Agora esboço um largo sorriso, convicta de não ser detetado, e todo o meu corpo se enche de um calor quase insuportável!

«Olá!» e fica especado a olhar para mim com um sorriso muito malandro. A energia descontrola-se dentro de mim… não consigo reagir de forma consciente e serena… solto um riso de longo alcance capaz de incutir a cura a um surdo! Senta-se quase em cima de mim como que a abafar as ondas sonoras que ondulam. Agarra-me nas mãos e diz que «não consigo aguentar esta pressão no estômago…»; a pausa deixa-me nervosa e quase a formular uma resposta. Balbucia «estou cheio de fome! Preciso de ir comer qualquer coisa» e eu fico ali assim, de boca entreaberta, feliz de não ter conseguido dar a resposta quase preparada para ir numa direção tão diferente.

- Perfeito. Vamos lá comer então e deixar esse estômago satisfeito! – Faço a reparação.

- Ah… sim… um gelado… é o que vou comer agora. Acompanhas-me?

19
Mar18

Desço para o átrio

Gabriela Lima

Desço para o átrio do hotel, olho em meu redor e sinto que sou uma mulher muito rica, no meio de tanto luxo e desço à realidade de ser um ser tão comum como a pessoa que vejo passar no passeio da rua, lá fora! Suspiro de alívio por não ser uma entidade famosa, conhecida e reconhecida que tem de colocar sempre os óculos escuros ou um chapéu de aba comprida para se esconder do reles público… o que até nem seria mau se gostasse da prática profissional cujo sucesso trespassasse o mundano… contradições malditas que nunca deixarão de existir!

O quarto é, sem dúvida, muito confortável… uma cama enorme só para mim, uma casa de banho do tamanho de um quarto normal a pequeno… a varanda é espaçosa o suficiente para me sentir recolhida e à vontade para esmiuçar com os olhos o ambiente da cidade. Gostava de conhecer a suite…

Quase que sinto o impulso de voltar a subir e rabiscar qualquer coisa no computador…

Mas sigo em sintonia com o outro impulso de ir lá para fora, misturar-me com a malta da ribalta e da vida simples, penetrar na atmosfera algo fresquinha, imiscuir-me nas casas, ruas, gentes e verdes, procurar um café com a minha cara, sentar-me, ler uma revista que comprei num quiosque por onde passei, que passaria a ler em modo de tradução difícil, a ver pelos meus já escassos conhecimentos dessa língua, para me entreter mais adiante a comparar as versões… original ou tradução? Às vezes, as línguas têm destas coisas… consoante o contexto, conseguem exprimir melhor do que o original, simplesmente porque podem exprimi-lo claramente através de uma ou duas palavras, ou porque já possuem a expressão ideal, sendo que leva uma eternidade de palavras à língua original para expô-lo ou não existe nenhuma expressão ideal para o fazer. Nesta reflexão, continuo a mostrar uma faceta inteligente e de pessoa com um não sei o quê, através de uma postura facial e corporal, que prende a atenção. Dou-me conta e mantenho o papel. A reflexão transforma-se em gozo, porque me lembro que a língua portuguesa, e como qualquer outra, com certeza, tem palavras que ficam extremamente engraçadas se calharmos de não escrevermos uma letra, mudando-lhe todo o sentido sério e sóbrio, para um sentido completamente estúpido e descabido. Por exemplo, palavras tão comuns como “pedido”… cai o primeiro “d” e logo podemos ler outra… «Pe(d)ido aprovado!»… e rio-me parva e descabida no meio de um tão conhecido café de cafés que me são, na  verdade, desconhecidos! Logo de seguida, surgem muitas de uma tiragem que não consigo controlar. Agora, já não devo transmitir aquele ar intelectual, mas um de mesmo muito maluquinha.

Leio um artigo engraçado e descubro que um dos animais mais perigosos do mundo… nunca lá chegaria… é o hipopótamo!

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