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Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

20
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Estou a caminho...

Gabriela Lima

Estou a caminho de casa

 

Estou a caminho de casa e toca telemóvel. Berros do outro lado despertam-me do estado relaxado para ser arrebatada para o outro extremo! «Credo! Que se passa?»

«Esqueceste-te de enviar o trabalho até às 17h! Tenho a cliente furiosa aos gritos de “incompetente”! Como é, já está pronto, vais enviar isso hoje, o que pretendes fazer?»

«Sim, é claro que vou enviar isso e é já! Fiquei totalmente convencida de que o prazo de entrega era amanhã de manhã cedinho… desculpa, confundi com outro trabalho, com certeza! Na verdade, já está pronto, vou só dar uma última leitura e envio-to de imediato!»

«OK, vou informar a cliente! Bolas, que coisa… ainda nem meia hora passou das 17h. Há cada uma… bolas… dentro de quanto tempo achas que envias o trabalho?»

«Até às 18h, antes disso, não vou conseguir…»

«Bom, vou segurar as pontas com a tipa! Até já!»

«Obrigada e desculpa!»

Incrível como é possível ter baralhado um prazo de entrega. Devo estar a ficar senil, acho que nunca me aconteceu! Ando com a cabeça no ar. Tenho mesmo de aterrar.

Chego a casa, abro o portátil com os documentos já abertos, passo os olhos uma vez e uma última vez, asseguro-me de que está tudo como quero que fique, ausculto a sensação mais visceral que tenho quando penso que posso entregar. Se esta for de ligeira agonia, é um aviso de que devo ler mais uma vez; se a agonia for pouco tolerante, é um aviso de que ainda devo fazer uma revisão aprofundada com comparação com o original e deteção dos segmentos de texto que mais me deixam indecisa ou insegura; se a agonia for geral e intolerável, não devo enviar já o texto, requerendo este, para além de uma revisão aprofundada com comparação com o original, também mais uma leitura geral com descanso de uma hora e, então, segunda leitura ou, dependendo de nova avaliação visceral, leitura final. A sensação é boa, tranquila… vou entregar!

Depois de nova sensação de alívio, levanto-me, corro a casa como que à procura de alguma coisa que já não sei o que era e volto a sentar-me incrédula desta feita sem resultados, reiniciando os toques no teclado. Procuro o documento relativo ao próximo texto a traduzir. Abro o texto, vejo lá dentro umas imagens que ilustram mais ou menos o tipo de artigos a traduzir e a forma como estão configurados. Começo a traduzir. Mais um e-mail acaba de entrar na minha caixa de correio. É trabalho, novamente! Fico contente por recomeçar a encher o mês com pastas de arquivo com trabalho programado. Nestes tempos de crise económica aguda, sinto-me agradecida.

Passado uns minutos, volta a soar a chegada de novo e-mail. Não vou logo saber de que ou quem se trata, pois estou muito compenetrada em tentar saber que raio é aquele objeto… será que existe um termo já em português? Não paro para não perder a ordem de reflexão e continuo a minha pesquisa aprofundada já com trilhentas páginas abertas a partir de sites na internet. Leio, leio e leio. Chego a abrir documentos pdf de teses de mestrado e doutoramento ou de simples textos de informação sobre aquilo e processos de aplicação… nada encontro que se aproxime do que quero… e insisto… o cursor pisca sem folga… como posso descrever isto que procuro? Deixa lá ver, que termos posso inserir para pesquisa? Não… não vai por aqui… talvez por ali…

Lembro-me finalmente de ir ver o último e-mail, ao qual já se juntaram mais dois… tudo trabalho! Começo a ficar com algum calor… lá se foi a noite!

Mando vir uma pizza, porque fiquei sem vontade de perder tempo nem para preparar um pãozinho torrado…

Está tudo em silêncio, apenas ouço o tilintar do teclado, e os dedos sempre a bater… quase que ouço um tambor também que ressoa de dentro da minha cabeça, tal é a sequência de pensamentos, ligações, seleções de terminologia mais adequada, vislumbro também sombras internas de espaços vazios em busca do que não me lembro, não sei, procuro saber.

Estou tão imbuída nisto que quase não me apercebo de que tocou o homem das pizzas. Decorrido o processo de entrega e pagamento, lanço a pizza para cima da mesa da sala, nem vou buscar pratos, coisa nenhuma. De guardanapo na mão, tiro um triângulo abastado, saio da mesa, sento-me à secretária e levo o grande pedaço à boca enquanto digito com os dedos em pontinhas para não engordurar o teclado, convencida de que os sujei ao segurar a fatia de pizza. Ouço mais barulhos, parecem-se com os berros de uma criança que não tem educação e se está a passar… imagino-me a dar-lhe de imediato um enorme estalo para a calar, mas logo de seguida autocritico-me de poder estar a ser violenta e retiro o pensamento, esqueço-me dela.

Prossigo o meu trabalho pela noite dentro. Tenho três trabalhos com prazo de entrega para o dia seguinte!

18
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Pessoas...

Gabriela Lima

Pessoas para quê?

 

Pessoas, para que vos quero? No meio de tantas pessoas, tendemos a classificá-las. As da família, as pessoas amigas de peito, as do trabalho, as assim-assim, as palermas, as mal-educadas, as que têm a mania, as que ouvem, as que não sabem ouvir, as aventureiras, as conservadoras, as interesseiras, as genuínas, etc., etc.

Penso nos amigos, como são importantes… faço uma pausa, reflito e penso efetivamente: serão assim tão importantes? Falo de que tipo de amigos? Daqueles que sei que me apoiarão em necessidade, ou daqueles que apenas se prestam a matar o tempo ordinariamente comigo e, se calhar, eu com eles, contando-me os seus sonhos e frustrações, fazendo que ouvem os meus devaneios… contornando caminhos para encontrar respostas sem fim, para que a conversa não pare, para que nos sintamos vivos e inteligentes, de tão sábios que somos nas nossas reflexões. Para, amanhã, não interessar mais, por esta ou por aquela razão, ou porque não se sabe muito bem por que razão. Sobreponho um outro pensamento: a família, sim! É extremamente importante! Mas eu só posso falar de mim. Cada qual que fale da sua experiência… Não é um tópico de uma só resposta. No meio de tanta palavra, encontro uma outra que me parece adequada agora: conveniência. Os amigos são quase como a loja de conveniência. Imagino uma autoestrada que é a vida. Vai-se fazendo paragens para descansar, rever percursos… para-se na loja de conveniência. Muda-se de autoestrada e para-se em nova loja de conveniência. A família não! A família é um dado adquirido. Ela é e será! Em família, o nosso estado é mais nosso, somos mais nós mesmos, é a nossa definição genética, quer se queira quer não! Ninguém escolhe um familiar para ter um amigo… ama-se e pronto! É certo que há quem prefira os amigos à própria família por questões diversas, bla, bla…

Interrompo o devaneio, orientando o olhar para o mar e logo de seguida para as duas pessoas que me observam com ar de reguilas. Volta o dito pensamento: os amigos são importantes, são sim! Como se costuma dizer “são poucos, mas bons!”

06
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Bom dia...

Gabriela Lima

Bom dia, meninas

- Bom dia, meninas, que dia tão bonito! Este ar e sol dá comigo em doido! Adoro! E o mar revolto lá ao fundo está o máximo! Vocês já tomaram o pequeno-almoço?

- Sim. Claro. Estávamos esfomeadas.

Responde Luísa ao espadaúdo simpático. Eu sorrio e encolho-me em modo de espreguiçar para dentro com bocejo interior e lanço um “dormia agora uma soneca”.

Luísa levanta-se sem pio e dirige-se sozinha pelo areal fora até, presumo, ao mar.

- Estás porreira?

- Sim. E tu?

- Muito bem. Aquilo noutro dia foi esquisito, no mínimo, não foi?

- Não, acho que foi muito normal… acontece imenso, não achas? No sentido de que acontece a todos, nada de especial.

- Sim, acho que tens razão.

- Há pessoas que não têm de ir mais além do que sentem e querem. Não têm de experimentar tudo, porque simplesmente sabem que é melhor ficarem por ali mesmo. Não sentias isso assim também?

- Creio que sim. Mas, por outro lado, até estava empolgado. Mas não sei porquê, não era, com certeza, AQUELA sensação de empolgamento que sabemos…

- Sim. É um sentimento bom, confortável, de bem-estar, mas que não cria impulsos deslumbrantes. E ao forçarmos parece que esse tipo de magia se desvanece porque deve ser só isso mesmo e vivida dessa forma! Acho que faríamos efetivamente bons companheiros, amigos de conversa entrelaçada e a passar horas de excelente qualidade. Mas, mais do que isso resulta numa sensação de que o resto não nos pertence, não existe. Só mesmo este companheirismo é que nos deixa bem. Depois, cada qual deve levar a sua vida. É assim que sinto, e tu?

- É verdade, eu também. No início era difícil compreender. Um gajo jeitoso (hehe), bem falante, culto, divertido a ser rejeitado por uma tipa do mesmo género. Parece que não deveria ser assim e, no entanto, é-o. Tinhas razão… a nossa atração baseia-se numa relação de companheirismo e bom passatempo, mas levá-la a outro nível, seria desvirtuá-la do que dela tiramos de melhor.

- Mudando o tema, o que gostarias de fazer em termos de trabalho que achas que não consegues ou não serias admitido? Não te pergunto se estás contente com o que fazes. Não importa o presente, mas a suposição de fazer outra coisa que considerasses importante e te permitisse realizar como pessoa e profissional.

- Não sei muito bem. Creio que nunca pensei nisso dessa forma. Gosto do que faço. Há coisas que gostaria de fazer, mas não paga uma vida a ninguém, a não ser que já tenhas um bom plafom garantido. Gostava de tratar de animais. Mas também sei que sou um medroso e não tenho arcaboiço para isso. Quando falo de animais, refiro-me a animais selvagens.

- Boa. Nunca pensaste que, se calhar, é coisa que nunca te passou seriamente pela cabeça e que, na verdade, não é mesmo isso que pretendes? É tipo o que gostarias de fazer, mas, não obrigado!?

- Esclarece, estou “emburrecido”!

- Hehe, é fácil. Eu estou sempre a lembrar-me que numa próxima encarnação quero estar integrada em programas de ajuda a pessoas em países pobres, ou então a deficientes, etc. Também já me passaram os animais pela cabeça, mas acabo a tender para os humanos, no fim de tudo. Uma vez candidatei-me a um cargo para uma zona na Amazónia ou lá perto. Uma área de alto risco. Iria coordenar a equipa dessa área em termos de ajuda aos locais. O salário era muito atraente. Fui recusada. Não tinha estatura nem experiência para o tipo de trabalho. Compreendi, claro! Ainda estive ligada a atividades de ajuda local, mas, no fim, não fiquei fã das pessoas envolvidas, nem de determinadas opiniões incluídas em diversas conversas. Depois, com o tempo, pediam-me ajuda pecuniária e não de outra ordem que seria eventualmente também necessária e que faria gratuitamente. Pecuniária… não que não pudesse fazê-lo, mas esse tipo de ajuda não me convence, de todo! Mas continuo em modo de sonho a projetar a minha ajuda internacional. Começo por pensar que teria de tirar outro curso, um que fosse mais ajustado à necessidade real. Mas, na verdade, nunca lutei verdadeiramente por isso, acabo a justificar com a falta de estatura, a miopia e a falta de tempo e dinheiro para preparar esse curso. Acabo a delegar à reencarnação. Admiro as pessoas que o fazem verdadeiramente e gostava de ter o alento delas, porque, isso sim, é o que falta: o alento.

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