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Não importa se estive, ou não!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

A vida é um emaranhado de ações, reações e acontecimentos. Aqui, incluem-se as nossas ideias, pensamentos, divagações e estados de sentir. Ouvir a nossa intuição é primordial!

Não importa se estive, ou não!

04
Jul18

Na companhia de quem também nos quer! Acordo...

Gabriela Lima

Acordo bem-disposta

 

Acordo bem-disposta depois de uma noite perdida com um momento de sono muito fugaz! Sorrio ao novo dia com bom-tom e cheiinha de sono, mas controlo o peso do corpo sobre a cama e, em movimento de bailarina de tronco rijo, levanto-me para um excelente pequeno-almoço. Preparo uma meia-de-leite e umas torradas e regalo o estômago com tudo. Está mais um dia lindo de sol que me desperta pensamentos maravilhosos que abarcam todos os tempos e pessoas importantes na minha vida. É inevitável, não consigo deixar de o fazer quando me ponho nesta frequência inesperada de contacto com o mundo. Agradeço tê-las conhecido e fazerem parte dos meus pensamentos e continuo revigorada o meu percurso de trabalho deixado para últimas revisões de revisões e entrega final.

20
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Estou a caminho...

Gabriela Lima

Estou a caminho de casa

 

Estou a caminho de casa e toca telemóvel. Berros do outro lado despertam-me do estado relaxado para ser arrebatada para o outro extremo! «Credo! Que se passa?»

«Esqueceste-te de enviar o trabalho até às 17h! Tenho a cliente furiosa aos gritos de “incompetente”! Como é, já está pronto, vais enviar isso hoje, o que pretendes fazer?»

«Sim, é claro que vou enviar isso e é já! Fiquei totalmente convencida de que o prazo de entrega era amanhã de manhã cedinho… desculpa, confundi com outro trabalho, com certeza! Na verdade, já está pronto, vou só dar uma última leitura e envio-to de imediato!»

«OK, vou informar a cliente! Bolas, que coisa… ainda nem meia hora passou das 17h. Há cada uma… bolas… dentro de quanto tempo achas que envias o trabalho?»

«Até às 18h, antes disso, não vou conseguir…»

«Bom, vou segurar as pontas com a tipa! Até já!»

«Obrigada e desculpa!»

Incrível como é possível ter baralhado um prazo de entrega. Devo estar a ficar senil, acho que nunca me aconteceu! Ando com a cabeça no ar. Tenho mesmo de aterrar.

Chego a casa, abro o portátil com os documentos já abertos, passo os olhos uma vez e uma última vez, asseguro-me de que está tudo como quero que fique, ausculto a sensação mais visceral que tenho quando penso que posso entregar. Se esta for de ligeira agonia, é um aviso de que devo ler mais uma vez; se a agonia for pouco tolerante, é um aviso de que ainda devo fazer uma revisão aprofundada com comparação com o original e deteção dos segmentos de texto que mais me deixam indecisa ou insegura; se a agonia for geral e intolerável, não devo enviar já o texto, requerendo este, para além de uma revisão aprofundada com comparação com o original, também mais uma leitura geral com descanso de uma hora e, então, segunda leitura ou, dependendo de nova avaliação visceral, leitura final. A sensação é boa, tranquila… vou entregar!

Depois de nova sensação de alívio, levanto-me, corro a casa como que à procura de alguma coisa que já não sei o que era e volto a sentar-me incrédula desta feita sem resultados, reiniciando os toques no teclado. Procuro o documento relativo ao próximo texto a traduzir. Abro o texto, vejo lá dentro umas imagens que ilustram mais ou menos o tipo de artigos a traduzir e a forma como estão configurados. Começo a traduzir. Mais um e-mail acaba de entrar na minha caixa de correio. É trabalho, novamente! Fico contente por recomeçar a encher o mês com pastas de arquivo com trabalho programado. Nestes tempos de crise económica aguda, sinto-me agradecida.

Passado uns minutos, volta a soar a chegada de novo e-mail. Não vou logo saber de que ou quem se trata, pois estou muito compenetrada em tentar saber que raio é aquele objeto… será que existe um termo já em português? Não paro para não perder a ordem de reflexão e continuo a minha pesquisa aprofundada já com trilhentas páginas abertas a partir de sites na internet. Leio, leio e leio. Chego a abrir documentos pdf de teses de mestrado e doutoramento ou de simples textos de informação sobre aquilo e processos de aplicação… nada encontro que se aproxime do que quero… e insisto… o cursor pisca sem folga… como posso descrever isto que procuro? Deixa lá ver, que termos posso inserir para pesquisa? Não… não vai por aqui… talvez por ali…

Lembro-me finalmente de ir ver o último e-mail, ao qual já se juntaram mais dois… tudo trabalho! Começo a ficar com algum calor… lá se foi a noite!

Mando vir uma pizza, porque fiquei sem vontade de perder tempo nem para preparar um pãozinho torrado…

Está tudo em silêncio, apenas ouço o tilintar do teclado, e os dedos sempre a bater… quase que ouço um tambor também que ressoa de dentro da minha cabeça, tal é a sequência de pensamentos, ligações, seleções de terminologia mais adequada, vislumbro também sombras internas de espaços vazios em busca do que não me lembro, não sei, procuro saber.

Estou tão imbuída nisto que quase não me apercebo de que tocou o homem das pizzas. Decorrido o processo de entrega e pagamento, lanço a pizza para cima da mesa da sala, nem vou buscar pratos, coisa nenhuma. De guardanapo na mão, tiro um triângulo abastado, saio da mesa, sento-me à secretária e levo o grande pedaço à boca enquanto digito com os dedos em pontinhas para não engordurar o teclado, convencida de que os sujei ao segurar a fatia de pizza. Ouço mais barulhos, parecem-se com os berros de uma criança que não tem educação e se está a passar… imagino-me a dar-lhe de imediato um enorme estalo para a calar, mas logo de seguida autocritico-me de poder estar a ser violenta e retiro o pensamento, esqueço-me dela.

Prossigo o meu trabalho pela noite dentro. Tenho três trabalhos com prazo de entrega para o dia seguinte!

18
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Pessoas...

Gabriela Lima

Pessoas para quê?

 

Pessoas, para que vos quero? No meio de tantas pessoas, tendemos a classificá-las. As da família, as pessoas amigas de peito, as do trabalho, as assim-assim, as palermas, as mal-educadas, as que têm a mania, as que ouvem, as que não sabem ouvir, as aventureiras, as conservadoras, as interesseiras, as genuínas, etc., etc.

Penso nos amigos, como são importantes… faço uma pausa, reflito e penso efetivamente: serão assim tão importantes? Falo de que tipo de amigos? Daqueles que sei que me apoiarão em necessidade, ou daqueles que apenas se prestam a matar o tempo ordinariamente comigo e, se calhar, eu com eles, contando-me os seus sonhos e frustrações, fazendo que ouvem os meus devaneios… contornando caminhos para encontrar respostas sem fim, para que a conversa não pare, para que nos sintamos vivos e inteligentes, de tão sábios que somos nas nossas reflexões. Para, amanhã, não interessar mais, por esta ou por aquela razão, ou porque não se sabe muito bem por que razão. Sobreponho um outro pensamento: a família, sim! É extremamente importante! Mas eu só posso falar de mim. Cada qual que fale da sua experiência… Não é um tópico de uma só resposta. No meio de tanta palavra, encontro uma outra que me parece adequada agora: conveniência. Os amigos são quase como a loja de conveniência. Imagino uma autoestrada que é a vida. Vai-se fazendo paragens para descansar, rever percursos… para-se na loja de conveniência. Muda-se de autoestrada e para-se em nova loja de conveniência. A família não! A família é um dado adquirido. Ela é e será! Em família, o nosso estado é mais nosso, somos mais nós mesmos, é a nossa definição genética, quer se queira quer não! Ninguém escolhe um familiar para ter um amigo… ama-se e pronto! É certo que há quem prefira os amigos à própria família por questões diversas, bla, bla…

Interrompo o devaneio, orientando o olhar para o mar e logo de seguida para as duas pessoas que me observam com ar de reguilas. Volta o dito pensamento: os amigos são importantes, são sim! Como se costuma dizer “são poucos, mas bons!”

06
Jun18

Na companhia de quem também nos quer! Bom dia...

Gabriela Lima

Bom dia, meninas

- Bom dia, meninas, que dia tão bonito! Este ar e sol dá comigo em doido! Adoro! E o mar revolto lá ao fundo está o máximo! Vocês já tomaram o pequeno-almoço?

- Sim. Claro. Estávamos esfomeadas.

Responde Luísa ao espadaúdo simpático. Eu sorrio e encolho-me em modo de espreguiçar para dentro com bocejo interior e lanço um “dormia agora uma soneca”.

Luísa levanta-se sem pio e dirige-se sozinha pelo areal fora até, presumo, ao mar.

- Estás porreira?

- Sim. E tu?

- Muito bem. Aquilo noutro dia foi esquisito, no mínimo, não foi?

- Não, acho que foi muito normal… acontece imenso, não achas? No sentido de que acontece a todos, nada de especial.

- Sim, acho que tens razão.

- Há pessoas que não têm de ir mais além do que sentem e querem. Não têm de experimentar tudo, porque simplesmente sabem que é melhor ficarem por ali mesmo. Não sentias isso assim também?

- Creio que sim. Mas, por outro lado, até estava empolgado. Mas não sei porquê, não era, com certeza, AQUELA sensação de empolgamento que sabemos…

- Sim. É um sentimento bom, confortável, de bem-estar, mas que não cria impulsos deslumbrantes. E ao forçarmos parece que esse tipo de magia se desvanece porque deve ser só isso mesmo e vivida dessa forma! Acho que faríamos efetivamente bons companheiros, amigos de conversa entrelaçada e a passar horas de excelente qualidade. Mas, mais do que isso resulta numa sensação de que o resto não nos pertence, não existe. Só mesmo este companheirismo é que nos deixa bem. Depois, cada qual deve levar a sua vida. É assim que sinto, e tu?

- É verdade, eu também. No início era difícil compreender. Um gajo jeitoso (hehe), bem falante, culto, divertido a ser rejeitado por uma tipa do mesmo género. Parece que não deveria ser assim e, no entanto, é-o. Tinhas razão… a nossa atração baseia-se numa relação de companheirismo e bom passatempo, mas levá-la a outro nível, seria desvirtuá-la do que dela tiramos de melhor.

- Mudando o tema, o que gostarias de fazer em termos de trabalho que achas que não consegues ou não serias admitido? Não te pergunto se estás contente com o que fazes. Não importa o presente, mas a suposição de fazer outra coisa que considerasses importante e te permitisse realizar como pessoa e profissional.

- Não sei muito bem. Creio que nunca pensei nisso dessa forma. Gosto do que faço. Há coisas que gostaria de fazer, mas não paga uma vida a ninguém, a não ser que já tenhas um bom plafom garantido. Gostava de tratar de animais. Mas também sei que sou um medroso e não tenho arcaboiço para isso. Quando falo de animais, refiro-me a animais selvagens.

- Boa. Nunca pensaste que, se calhar, é coisa que nunca te passou seriamente pela cabeça e que, na verdade, não é mesmo isso que pretendes? É tipo o que gostarias de fazer, mas, não obrigado!?

- Esclarece, estou “emburrecido”!

- Hehe, é fácil. Eu estou sempre a lembrar-me que numa próxima encarnação quero estar integrada em programas de ajuda a pessoas em países pobres, ou então a deficientes, etc. Também já me passaram os animais pela cabeça, mas acabo a tender para os humanos, no fim de tudo. Uma vez candidatei-me a um cargo para uma zona na Amazónia ou lá perto. Uma área de alto risco. Iria coordenar a equipa dessa área em termos de ajuda aos locais. O salário era muito atraente. Fui recusada. Não tinha estatura nem experiência para o tipo de trabalho. Compreendi, claro! Ainda estive ligada a atividades de ajuda local, mas, no fim, não fiquei fã das pessoas envolvidas, nem de determinadas opiniões incluídas em diversas conversas. Depois, com o tempo, pediam-me ajuda pecuniária e não de outra ordem que seria eventualmente também necessária e que faria gratuitamente. Pecuniária… não que não pudesse fazê-lo, mas esse tipo de ajuda não me convence, de todo! Mas continuo em modo de sonho a projetar a minha ajuda internacional. Começo por pensar que teria de tirar outro curso, um que fosse mais ajustado à necessidade real. Mas, na verdade, nunca lutei verdadeiramente por isso, acabo a justificar com a falta de estatura, a miopia e a falta de tempo e dinheiro para preparar esse curso. Acabo a delegar à reencarnação. Admiro as pessoas que o fazem verdadeiramente e gostava de ter o alento delas, porque, isso sim, é o que falta: o alento.

01
Mai18

Na companhia de quem também nos quer! Horas de...

Gabriela Lima

Horas de me aperaltar

 

Horas de me aperaltar para um jantar de aniversário. Sou a responsável pelo bolo. Tenho ainda de ir buscá-lo. São já 43 os aninhos atingidos. A aniversariante parece não ter grande ânimo para festejar, mas mais reunir-se com os amigos. Que os aniversários sirvam ao menos para reunir os amigos de quem verdadeiramente se gosta! Suponho que assim torna tudo mais relevante e estimulante.

Passo por uma outra loja, vejo umas botas e uns sapatos em promoção. Toca fundo esta minha trivialidade de fazer uma grande compra sem nada em troca que valha verdadeiramente a pena. Apenas a contribuição para um visual mais moderno e ao meu próprio gosto e estilo! Não resisto. Penso que será o valor de um mero trabalho ou dinheiro que perdi de repente. É horrível pensar assim, eu sei! Mas quem não pensa este tipo de coisas na hora de gastar alguma pipa de massa? Somos horríveis, todos, cada qual à sua maneira! Justifico melhor quando penso que trabalhei muito, não fiz férias e que não vou poupar grande coisa se gastar volta e meia uns 100 euros. Para muitos, rios de dinheiro, para outros, assim-assim e para uns poucos, uma ninharia! E eu não sou culpada. Termino os pensamentos, entro em modo de “nada”, peço, experimento, gosto e compro. Já está! São meus! Amanhã logo verei!

Chego a horas com o bolo e as botas novas. Beijos e abraços profundos com vontade de agarrar quem já não via há algum tempo. Conversas animadas de como temos passado, o que se fez e se deixou por fazer e o que gostaria de se fazer. Há um elemento novo no conjunto e sinto-me vislumbrada por esse novo intruso. Gosto da sensação. Deixo-me levar por ela, não pressiono, não acalmo, deixo-a correr, porque sabe muito bem. Inicia-se nova conversa sobre amores, desamores e arranjinhos. Olhos fitam-se e sorriem de encanto consciente e risos largam-se em alvoroço quando dizemos parvoíces verdadeiras e reveladoras da dura e mágica realidade que é a das atrações e encantos.

- No meio de tanta atração, restamos amigos de longa data, sem mais. Parece que o que nos uniu não foi uma sensação arrebatadora de amor sexual, mas sim amor pessoal, se é que se pode chamar isto. Alguém percebe o que quero dizer?

Esta era a minha amiga Luísa a falar. Uma mulher confiante e de confiança. Uma mulher nem alta nem pequena que nos ensina a perceber as situações mais tolas que possam existir nas nossas vidas e sabe aplicá-las à sua própria vida, o que é ainda mais revelador da sua alma pura e sábia. Nos piores dias, aperalta-se melhor do que nos melhores! Impossível vê-la desistir e deixar-se ficar ao canto, envolta na sua coberta! Isso, só quando está frio, mas de cabeça de fora para não perder nada do que se passa em seu redor. Uma mulher atenta, controladora, mas uma doce criatura que nos consola.

Digo que sim, percebo o que quer dizer. Mas como se tratam sensações de “desejo não querendo” que mais se associam a estados de graça com outro ser humano? Graça essa que pode cair em tentações de ardor sexual ou na simples tentação de um abraço. Como saber isso e não estragar relações que podem ser de longa data?

- Ou se tenta alguma coisa e fica-se a saber ou não se tenta nada e fica-se a saber na mesma. O tempo de manutenção dessas relações determina o rumo dessa relação em termos de se tornar sexual ou amizade profunda. O medo de falhar, de magoar, de se sair ferido, de terminar mal, de afastamento, etc., impede a experiência de resultar numa das duas.

- Então, achas que se deve manter a relação e ver no que dá, explícita ou implicitamente, de acordo com os comportamentos de cada um? – esta pergunta não é minha, é do tal “alto e espadaúdo” que se encontra à minha frente.

- Explícita ou implicitamente… não sei quanto a isso… a mim parece-me que se deve ser “a pessoa” e depois o resto vai-se desenhando… - contribui Luísa, um pouco baralhada, porém. Olha para mim como a pedir algum apoio verbal.

Fico algo engasgada por sentir que devo refletir na resposta…

- Sabem que mais… é deixar a vida rolar, os acontecimentos sucederem e ver que resposta lhes damos… primeiro, é melhor relaxar o pensamento para, em seguida, abraçar o evento que a realidade nos proporciona, quer contribuamos abertamente ou não para isso. A sensação de medo de perder isto ou aquilo ou meramente o jogo de olhares e toques ou não toques… esmaga qualquer tipo de inovação – esta foi a minha incrível resposta.

- E que entendes tu aqui por inovação? – arrebata o interessado número 1.

- Por inovação entendo uma entrega ao novo conhecimento para retirar aprendizagens ou mesmo reaprendizagens. Estive bem agora, não estive?

Luísa sorri abertamente e pisca-me o olho. Neste preciso momento sai-lhe um raio de luz que me atinge e me deixa estonteada. Esta rapariga tem qualquer coisa… estas coisas saem-lhe do coração e isso sim, é entrar em contacto com os outros sem eles perceberem de onde vem toda esta energia.

- Então… imaginemos que tu e eu, neste momento, estamos com um jogo de olhares… como devemos proceder? – pergunta-me entusiasticamente o rapaz.

- Então estamos com vontade de nos atrevermos. Atrevamo-nos nesse caso. Chuta conversa e logo se vê. Não fiques é parado a olhar eternamente. A magia do momento também se cansa e desaparece.

Luísa sente-se desconfortável e para se reintegrar diz “Eu ajudo! Vocês vão combinar um cinema para amanhã!”

Olhamo-nos todos, rimos, e eu digo “Muito bem, temos cinema amanhã, os dois?”.

- Por que não hoje mesmo? Ainda vamos a tempo… - insurge-se o meu par de jogo.

- Nã… empolga mais saber que vamos ao cinema amanhã, não achas? Até lá, vamos sonhar como seremos, de que conversaremos – sou interrompida por um “conversar? Então não é um cinema?” a que me apresso a dizer que “tomamos café bem antes do cinema ou depois?”.

- Com certeza. Está combinado. Café-jantar às 19h30 e cinema às 21h.

- E que tal, café às 22h e cinema às 24h?

Embasbaca-se o espadaúdo e soa encantadoramente com um “sim!”.

Luísa inclui-se novamente com conversa sobre tantos filmes no cinema para ver e nenhum propriamente especial.

Na verdade, ficamos de ver o Brave!

16
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! Vejo o que...

Gabriela Lima

Vejo o que tenho

 

Vejo o que tenho no correio eletrónico e sobressai na lista um e-mail da Rose. A minha Rose.

“Querida Garda, Tenho os teus tons prontíssimos. Vou enviar-te uma amostra para que possas ver, cheirar, tocar e aplicar. Leva umas instruções anexadas para saberes aplicar nos teus olhos. Depois diz-me o que achas. Estou ansiosa por ter o teu feedback. De resto, tudo igual. A reviravolta do costume. Abraço forte.”

Fico extasiada de alegria e ansiosa por receber o dito pacote. Eu… que nunca ligo a estas coisas… estou maluca por receber as minhas pinturas!

Respondo com um enorme THANK YOU! Aproveito para contar os meus últimos acontecimentos mais importantes na expectativa de receber uma resposta promotora e intensificadora de todo o contexto que explano.

Saio do compartimento e vou até à varanda para refrescar as bochechas no vento irado que lá passa e contemplo ao longe o oceano que tanto me aproxima do outro lado.

Volto e continuo a trabalhar.

13
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! Treme de repente...

Gabriela Lima

Treme de repente o telemóvel

 

Treme de repente o telemóvel com notícias de um amigo. Já não nos vemos desde o século passado. Mas a voz é a mesmíssima e o tom o mesmo de tão acolhedor. Fico feliz de tal acontecimento e atropelamo-nos cautelosamente em todas as conversas e temas encetados. Não demos por ela e passaram quase duas horas disto e daquilo. A sensação de posse do momento é tão boa que nenhum dos dois pretende desligar, arrastando a conversa com a integração de mais um comentário, palavras diferentes, expressões de fim que não querem findar. “Enfim, e é assim. Muito bom este café telefónico!”

Com isto, dou-me conta de velhas amizades que perduram e perduram, recontando e ouvindo histórias antigas e as que ainda são novas, questionando o mundo e a família, vendo-nos igualmente diferentes e com tanto em comum, dando conta da nossa habilidade para sonhar e acreditar, da nossa capacidade de integrar o presente no passado e confrontá-los no que poderá vir a ser o futuro. Tudo isto numa cumplicidade infinita que nunca desune.

Penso nisto e creio que o respeito e o carinho retirado deste tipo de amizade é a âncora cuja corda ou corrente se estende ao longo de quilómetros para jamais largar.

Sinto ainda que quando a amizade é independente, quando os amigos não querem possuir a amizade dos outros para si mesmos e libertam e são livres, esta é a amizade que desafia o tempo. Tudo nela se torna intemporal e atual.

Quem conhece a amizade assim conhece uma das maiores virtudes. E eu sinto que sou uma pessoa de sorte!

04
Abr18

Na companhia de quem também nos quer! É de manhã...

Gabriela Lima

É de manhã, saio de casa

 

É de manhã, saio de casa a correr algo atrasada para uma consulta de rotina no médico. A idade não perdoa e exige estes inconvenientes muito convenientes.

Paro o carro atrás de outro que me parece avançar com determinação no entroncamento. Não reparo, não sei como foi, depois de acelerar em primeira quase a engatar a segunda, bato com estrondo no carro que não avançou afinal. Somos só nós, não há ninguém a reparar nem a comentar. Saímos do carro em movimentos sintonizados para conhecermos os “parvos” da história e apreciar os danos.

- Não se preocupe, assumo a culpa.

- Na verdade, eu parei de repente… também não fui lá muito correta.

- Mas eu estava por trás e, por isso, eu devia ter-me certificado de que não tinha ninguém à minha frente… enfim… deixe lá ver os danos… o meu só tem um arranhão quase impercetível…

- O meu, aparentemente, não tem nada! Deixe-me só abrir a mala… não vá o diabo tecê-las… Não… não parece ter nada.

- Que sorte! Foi um toque – e que toque! – limpo.

- Acho que podemos relaxar as duas, mas que ainda estou a tremer, apesar de não ter sido nada de especial, lá isso estou. Bolas!

- Eu peço imensa desculpa, eu é que estava distraída a pensar na morte da bezerra. Na verdade, eu também estou muito nervosa… olhe só as minhas mãos! Acho que vou estacionar o carro e tomar uma água.

- Se não achar muito estranho, vou consigo! Assim, se o carro se desintegrar de repente, eu posso sempre culpá-la… estou a brincar!

- Sei lá, aquilo foi uma batida poderosa… sim, claro que não me importo. Tem toda a razão, não me perde o rasto se o pára-choques cair ao chão entretanto!

Estacionamos os ditos e dirigimo-nos ao café ali ao lado que nem tinha dado conta do sucedido.

Estavamos sorridentes de nervosas e as nossas vozes tremelicavam em harmonia com os movimentos rápidos, quase descontrolados, do nosso corpo. Sentamo-nos e pedimos ambas um café! Nesta atitude errada de querer relaxar, ficamos ainda mais estéricas e desatamos em conversa infinita sobre acidentes, experiências de acidentes, etc. O tópico ideal para ajudar a chegar a um ponto de pico, para logo, finalmente, retomarmos o nível de consciência e respiração normais.

Soltámos um sopro fundo de alívio para o ar, silenciamos por momentos, olhando em torno, voltando ao estado normal. Já cientes de tudo e todos, olhamos uma para a outra com olhos desconfiados e ao mesmo tempo exclamados. Que raio de coisa seria esta de tomarmos um café depois de um acidente? Não deveríamos ter ido cada qual para seu lado, uma a falar mal da outra e a outra de si mesmo, embora criticando a falta de segurança da primeira?

Comentamos a situação e de sermos pessoas muito simpáticas. A voltar à realidade, lembramo-nos dos nossos afazeres e por que razão estavamos a conduzir e para onde íamos. O tempo urgia e tinhamos de prosseguir caminho.

- Gostei imenso deste pedacinho… apesar de a ter conhecido de uma forma pouco interessante, até achei piada!

- Sem dúvida. Pelo menos, o dia ficou mais divertido e diferente!

Rimos.

A consulta no médico expirava, entretanto.

29
Mar18

Na companhia de quem também nos quer! Agora sim...

Gabriela Lima

Agora sim, de regresso

 

Agora sim, de regresso à realidade, estou no meu café preferido. Virada para os grandes vidros, alcanço a linha do horizonte que assenta sobre o mar como uma faixa vermelha de final de tarde a prever um dia seguinte de sol e puros tons de azul e verde a pintar o céu e o mar.

Olho, deixo-me imbuir em imagens, sons e pensamentos. Aproveito a minha tarde “off”, ligo novamente o portátil, abro um documento de texto e deixo o cursor piscar em vazio durante algum tempo.

Enquanto o cursor pisca, surgem-me mil sensações cruzadas, algumas associadas a imagens, outras a vivências. No conjunto, não vislumbro nada em concreto. Deixo que a seleção se faça aleatoriamente e, incrivelmente, lembro-me das meias aos corações coloridos em fundo cinza escuro que trago calçadas, que em nada combinam com o resto da indumentária e que se deixam ver, sentada, com as calças meio subidas. Penso em tapá-las, mas ocorre-me uma gargalhada interior e deixo-as ficar assim, em modo de palhaça que possa alegrar o dia de mais alguém que a elas ache piada!

Recordo todas as minhas amizades, desde a infância até ao momento e tento não me esquecer de ninguém, sabendo que será inevitável. Recordo as que ficaram sempre dentro de mim gravadas como alguém especial, independentemente de ter ainda ou não ligação. As menos positivas, recordo-as na tentativa de explicar o erro, se meu ou da outra pessoa, ou de ambos ou ambas. Recordo para observar se mudei orientações para melhor, ou para pior ou se em nada mudei. Sei que mudei muitas tendências para melhor… outras, continuo sem compreender muito bem como fazer, e outras… fico convicta de que a base situacional não se deveu a mim, sendo que continuo com uma perceção da outra pessoa como sendo uma pessoa “não para mim”. E, depois, existem aquelas que me magoam e parecem continuar a querer manter a amizade não querendo, e eu não sei como proceder. Ora me apetece extingui-las da lista dos amigos de coração e transferi-las para a lista dos amigos por conveniência ou deitar efetivamente ao lixo. Ao lixo… não me soa correta esta opção, não a sinto como desejada. Fico assim… à espera que o mar me responda! Deleito-me a olhá-lo novamente. E o cursor permanece “piscando”!

25
Mar18

Escrevinho algo num papel

Gabriela Lima

Escrevinho algo num papel. Estou de volta, porque deixei de querer perseguir o mundo no encalço daquilo que penso ter encontrado. Preenchi AQUELA gaveta! Ainda não consegui fechá-la, permanece escancarada, na expectativa de não a vir a fechar… sei, no entanto, que o inevitável irá acontecer!

Escrevinho para me entreter na viagem de regresso, a olhar desvairada para o todo e a tentar encontrar aquele único ponto de união, de magia, de rasto perdido. Sonho com tudo igual e um nada diferente, ou com tudo diferente e um nada igual!

Olho para todos os lados e consigo vislumbrar os bons momentos no rescaldo de cada troço da minha não tão extensa viagem. Sorrio convencida de que sou o máximo, de saber o que conheci e de conhecer o que sei. Mas sinto um fio de profunda tristeza, porque não conclui esse caminho.

Escrevinho tudo isto e descrevo o meu estado em consciência. Agradeço, contudo, ter absorvido todas as emoções, todos os pensamentos, todas as ações, todas as interrelações, todas as conversas. Não me esquecerei. Conheci muitos alguéns até hoje e todos preenchem o meu lado relacionável.

Não tocarei, ouvirei, verei, cheirarei nem falarei com AQUELA pessoa outra vez. Estou convicta disso. Não procurarei nem serei procurada. Só sentirei e serei sentida. Disso estou certa e convicta. Não pergunto se será suficiente, não importa.

Não me atrevo a fechar a gaveta. Estou imbuída naquelas emoções e sentimentos. Paro de gatafunhar, recosto-me para trás, deixo-me recordar.

As imagens correm depressa, sem ordem nem sucessão lógica. Deixo acontecer… não paro, não critico, não penso… deixo correr aquele filme incomposto.

Não importa se estive ou não estive, se vivi ou não vivi, se tudo é diferente ou igual, porque, na verdade, é tão diferente quanto igual. O âmago é o que nos une e nós diferenciamo-nos não pelo que nós somos, mas pelo que queremos parecer ser. E enredados nesta imagem que parece ser, mas não é, acreditamos no que parece ser e não é. E assim se constroem seres, culturas e nações… iguais e diferentes! Termino a digressão sem vontade de desenvolvê-la e abro portas ao devaneio seguinte.

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